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15 de janeiro de 2011

Aula de anatomia para malhação


A realidade da malhação é dura para nós, mortais (e não vale para as saradas invejavelmente abençoadas pela genética): esculpir um corpo é fruto de meses de dedicação e persistência. Mas fica mais fácil chegar lá se você entender o que passa por baixo do seu muque e da sua coxa.

Não, nós não vamos pedir para você decorar uma apostila de anatomia com os 650 músculos e os milhares de fibras do seu organismo. Em vez disso, fizemos uma triagem sobre o mínimo que você precisa saber para explorar o maior benefício possível do seu tríceps, quadríceps e todos os íceps que dizem respeito à sua silhueta. 


O QUE HÁ SOB A SUA PELE?
Músculos. Temos três tipos: os lisos, que revestem órgãos internos como estômago e esôfago; os estriados cardíacos, do coração; e os estriados esqueléticos, ligados aos ossos pelos tendões.

COMO ELES FUNCIONAM
Os músculos esqueléticos compõem de 30 a 40% de sua massa corpórea. São voluntários, ou seja, diferentemente do coração, que bate sozinho, é preciso acioná-los quando você tem que transportar uma TV de plasma (porque nenhum homem maleducado se ofereceu para fazer o trabalho pesado).

ÓRGÃOS DE FIBRA
Parece estranho, mas os músculos esqueléticos são como o pacote de espaguete. Cada filete representa uma fibra muscular, que se junta a outras e forma um feixe. Para fazer ideia, só nos quadris há mais de 150 fibras em cada feixe. O agrupamento deles forma os músculos como um todo.

AUMENTE O QUE TEM
Sua quantidade de fibras musculares foi estabelecida na época em que você deu seu primeiro beijo. Elas são construídas desde cedo, mas é na puberdade que os músculos se constituem. De acordo com Moisés Cohen, professor do departamento de ortopedia e traumatologia da Unifesp, os músculos e suas fibras não têm a capacidade de se multiplicar. “Restam as opções do aumento de volume de cada fibra e do ganho em resistência e força.”

CADA UM NEM SEMPRE É CADA UM
As características dos músculos são fatores importantes. Existem as fibras de tipo I, de contração lenta e resistentes à fadiga; tipo IIA, de contração rápida e também resistentes à fadiga; e tipo IIIB, de contração rápida mas fatigável. “Alguns pesquisadores defendem que, dependendo do treinamento, pode ocorrer a transformação de um tipo de fibra em outro”, diz Ricardo Cury, ortopedista da Santa Casa de São Paulo. “A distribuição das fibras musculares é determinada antes do nascimento ou na fase inicial da vida, tendo uma característica genética.” As fibras rápidas favorecem agilidade e explosão (como uma prova de 100 metros rasos), enquanto as lentas, a resistência. “Para encarar uma maratona, invista na contração lenta por meio de treinos com pouco peso e séries de 12 a 15 repetições”, recomenda o fisiologista do exercício Jason Conviser, do Centro de Medicina Northwestern Memorial, nos EUA.

DORES DO BEM
Quando você corta o dedo, seu organismo forma uma casquinha sobre a ferida para proteger e curar o machucado. Algo similar ocorre com seus músculos. As forças exercidas causam quebras microscópicas das fibras. Como resultado, os músculos emitem um sinal para as células reparadoras atuarem no local das rupturas. “Essas células sofrem um processo inflamatório benéfico que gera dor e diminui a capacidade de esforço. Daí vem o aumento da força e da massa muscular”, afirma o fisiologista do exercício Paulo Correia, professor da Unifesp. “Engana-se quem acha que, quanto maior a lesão, mais rápido o ganho. Esse processo leva tempo.”

SUPERVOLUME
Cientificamente, a palavra para o crescimento do músculo é hipertrofia. “Dá para aumentar os músculos trabalhando com intensidade e seguindo uma alimentação correta. A estratégia é diminuir a quantidade de gordura no corpo”, diz Gilmara Chaves, professora da academia Pelé Club, em São Paulo. “Para aumentar a massa e o peso rapidamente, opte por treinos com duas ou três séries de seis a oito repetições e muita carga.”

NEM TANTO AO HULK
Não queremos que a malhação transforme você no Hulk. O hormônio que faz o músculo crescer, a testosterona, é mais abundante de 20 a 30% em maior quantidade nos homens. “Outro ponto importante é a presença da enzima miostatina, que impede o aumento exagerado do músculo. Cada indivíduo possui uma quantidade específica da substância nas células”, diz Moisés Cohen.

QUEM TEM A FORÇA, HOMEM OU MULHER?
Quando cientistas realizaram um estudo comparativo entre a força muscular dos sexos, concluíram que os homens eram 50% mais fortes. Ao analisar o peso corporal baseado no ganho muscular, porém, descobriu-se que a formação dos músculos nas mulheres era mais firme do que nos homens.

OMBROS FORTES, CINTURA FINA
Lou Schuler, coautor do livro The News Rules of Lifting for Women (Novas regras do levantamento de peso para mulher), sem tradução para o português, diz que é mais fácil aumentar a massa muscular nos ombros. “Não há muita gordura em torno dos deltoides de uma mulher, e por isso ele tende a ficar mais definido”, afirma. Por que você quer uma ombreira permanente? A grande sacada é que ombros mais largos fazem a cintura parecer mais fina.

EXCESSO SEM DIVERSÃO
Atenção ao excesso de malhação. Musculação demais pode causar desde o encurtamento até um rompimento das fibras musculares. Se isso acontecer, troque o trabalho de peso por ioga e muita hidratação, até você ficar em condições de novo.

EXERCÍCIOS QUE QUEIMAM
Por décadas os cientistas pensaram que a sensação de ardência era resultado da liberação do ácido lático pós-treino pesado. Mas pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, descobriram outros motivos. Quando você se exercita, a musculatura transforma a glicose do alimento em ácido lático, que é transportado pelas proteínas para as mitocôndrias, fábrica de energia dos músculos. Quanto mais trabalhada a musculatura, mais eficientemente seu corpo utiliza os ácidos láticos como combustível. Isso significa que você pode ir mais longe e por mais tempo. Queimação sim – mas com restrições.

PARA ASSUSTAR
Os músculos mais fortes do corpo são os do maxilar – eles têm força de meia tonelada (peso de um caminhãozinho).
AERÓBICO? É PRA JÁ!
Está acima do peso? Invista em atividades aeróbicas (corrida, natação, caminhada, etc.) e não fique só na musculação. Muitos homens se esquecem desse pequeno, mas grande detalhe. Atividades aeróbicas ajudam a perder peso e devem acompanhar a musculação, no mínimo de 2 a 3 vezes por semana. Não adianta nada estar musculoso e não ter folego para ir a padaria ou passear com o cachorro. Bote um tênis, aqueça-se e comece a suar a camisa já.

VOCÊ É (MAIS OU MENOS) O QUE COME
Não precisamos repetir insistentemente que a qualidade da nutrição reflete na saúde corporal. Lembre disso.


fonte: WomensHealth/AcademiaeCia


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23 de março de 2010

O corpo humano segundo o Dr. Frankenstein

Um novo atlas do corpo humano tenta conquistar o público infantojuvenil usando ilustrações didáticas detalhadas, mas num roteiro de ficção.

"O Incrível Livro do Corpo Humano Segundo o Dr. Frankenstein", que sai agora em português, é uma introdução à anatomia que não se limita, porém, à curiosidade.

Richard Walker, o autor, usa imagens de impacto para explicar desde organelas celulares como as mitocôndrias --que "enviam energia para as reações químicas das células"- até o funcionamento de uma tomografia --em que "um raio X giratório passa pelo corpo de uma pessoa deitada".

A versão americana, de 2008, ganhou destaque nos EUA após receber elogios no site da revista "Wired" e nas publicações "Publishers Weekly" e "School Library Journal", especializada em livros voltados para estudantes.

O roteiro ficcional adotado pelo livro é uma viagem de 30 dias pelo corpo humano guiada pelo Dr. Frankenstein.
Página do livro de Richard Walker (Reprodução)
Seu objetivo é criar um novo corpo do zero, então o leitor acompanha a preparação das células, como elas se juntam para formar os tecidos, os órgãos, o organismo inteiro. O livro mostra o grau de complexidade que mesmo as células mais simples possuem e como elas conseguem, juntando-se, formar um ser vivo sofisticado.
Todas as páginas do livro, que sai pela Publifolha, têm ilustrações coloridas. É possível ver desde um neurônio até o esmalte dos dentes. O livro mostra também raios-X de várias partes do corpo, ressonâncias do cérebro e imagens de músculos e até do esôfago.

LIVRO - "O Incrível Livro do Corpo Humano Segundo o Dr. Frankenstein: A Verdade Monstruosa sobre o Funcionamento do nosso Organismo", de Richard Walker Publifolha, 93 págs., R$ 55,00

fonte: FolhaOnline
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27 de janeiro de 2010

Cientistas descobrem sistema sensorial escondido sob a pele


Essa rede sensorial secreta está espalhada por todos os nossos vasos sanguíneos e glândulas sudoríparas e é, para a maioria das pessoas, quase totalmente imperceptível. [Imagem: Frank L. Rice]
Sensações escondidas
A experiência sensorial humana é muito mais complexa e cheia de nuances do que se pensava, segundo um novo estudo inovador publicado no exemplar de dezembro da revista Pain.
No artigo, os cientistas das universidades de Liverpool (Inglaterra) e Cambridge (Estados Unidos), revelam que o corpo humano possui um sistema sensorial totalmente exclusivo e isolado, independente dos nervos que dão à maioria de nós a habilidade de tocar e sentir.
Surpreendentemente, essa rede sensorial está espalhada por todos os nossos vasos sanguíneos e glândulas sudoríparas e é, para a maioria das pessoas, quase totalmente imperceptível.


Sensações sutis
Os resultados inéditos vêm se somar a avanços importantes sobre as capacidades sensoriais dos seres humanos. Recentemente, cientistas demonstraram que sensações da pele afetam a audição. Já o prof. Leonid Yaroslavsky, da Universidade de Tel Aviv, acredita que os humanos temos uma capacidade para "ver" cores e formas por meio da pele.

"É quase como ouvir o som sutilde um único instrumento no meio de uma sinfonia", diz o neurologista Frank Rice. "É só quando mudamos o foco das terminações nervosas associadas com as sensações normais da pele que podemos apreciar as sensações escondidas por trás delas."




Insensibilidade à dor
Os pesquisadores descobriram este sistema sensorial oculto estudando dois únicos pacientes que foram diagnosticados com uma anormalidade até então desconhecida pelo principal autor da pesquisa, o Dr. David Bowsher.
Esses pacientes tinham uma condição extremamente rara chamada insensibilidade congênita à dor, o que significa que eles nasceram com muito pouca capacidade de sentir dor.
Outros raros indivíduos com essa condição têm a pele excessivamente seca, muitas vezes mutilam-se acidentalmente e, geralmente, têm graves deficiências mentais.
"Apesar de terem alguns acidentes ao longo de suas vidas, o que torna estes dois pacientes únicos é o fato de que eles levavam uma vida normal. O que os trouxe para a clínica foi a transpiração excessiva, quanto então descobrimos a ausência séria de sensação de dor," disse o Dr. Bowsher.
"Curiosamente, os testes convencionais com instrumentos muito sensíveis revelaram que todas as suas sensações da pele estavam gravemente prejudicadas, incluindo as reações a diferentes temperaturas e contatos mecânicos. Mas, para todos os efeitos, eles tinham sensações adequadas para a vida diária e podem dizer o que é quente ou frio, o que os está tocando e o que é áspero ou suave," conta ele.


Terminações nervosas
O mistério aumentou quando o Dr. Bowsher, da Inglaterra, enviou biópsias de pele dos dois pacientes para o laboratório do Dr. Rice, nos Estados Unidos, que faz análises microscópicas multimoleculares de terminações nervosas da pele, especialmente em relação às condições de dores crônicas, como as causadas por lesões nervosas, diabetes e herpes zóster.
"Em condições normais, a pele contém muitos tipos diferentes de terminações nervosas capazes de distinguir entre diferentes temperaturas, diferentes tipos de contato mecânico, tais como as vibrações de um telefone celular e o movimento dos cabelos e, sobretudo, estímulos dolorosos", explica o Dr. Rice. "Para nossa surpresa, a pele que recebemos da Inglaterra não tinha as terminações nervosas normalmente associadas com as sensações da pele. Então, como é que essas pessoas podiam sentir alguma coisa?"


Sistema sensorial escondido
A resposta parece estar na presença de terminações nervosas sensoriais sobre os pequenos vasos sanguíneos e as glândulas sudoríparas incorporadas na pele.
"Há anos meus colegas e eu temos detectado os diferentes tipos de terminações nervosas em pequenos vasos sanguíneos e glândulas sudoríparas, os quais nós assumimos que estavam simplesmente regulando o fluxo de sangue e suor. Nunca imaginamos que eles poderiam contribuir para as sensações conscientes.
"Entretanto, embora todas as outras terminações sensoriais estivessem ausentes neste tipo incomum de pele, os vasos sanguíneos e as glândulas sudoríparas ainda apresentam os tipos normais de terminações nervosas. Aparentemente, esses indivíduos únicos são capazes de 'sentir as coisas' através dessas terminações nervosas restantes," diz o cientista.
"O que nós aprendemos com estes indivíduos incomuns é que há um outro nível de feedback sensorial que pode nos dar uma informação tátil consciente. Problemas com essas terminações nervosas podem contribuir para condições de dores misteriosas, como a enxaqueca e fibromialgia, cujas causas ainda são desconhecidos, o que as torna muito difíceis de tratar," conclui Rice.
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