24 de março de 2010

Tuberculose é a maior causa de morte por doença infecciosa no mundo

No Dia Mundial de Combate à Tuberculose, a Organização Mundial de Saúde (OMS), acendeu alerta vermelho e pediu intensificação do combate à doença.
Apesar de todo o avanço da tecnologia e da medicina, a tuberculose segundo a OMS é a maior causa de morte por doença infecciosa em adultos e mata 2 milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano.

Taxa de cura da tuberculose no Brasil ainda está abaixo da meta
Para o Brasil, o objetivo é diagnosticar 70% dos casos estimados da doença e curar 85% deles, no mínimo. Mas esta meta de cura, pactuada com a OMS, no entanto, está longe de ser atingida. Dos casos registrados no país - 90 mil novos por ano - apenas 72% se curam. O número de mortos pela doença chega a 6 mil anualmente.

A tuberculose é causada especialmente pela bactéria Mycobacterium tuberculosis , também conhecida como bacilo de Koch. A OMS estima que um terço da população mundial está infectada pela bactéria e, do total, pelo menos 8 milhões de pessoas desenvolverão a doença.

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo País para combater a tuberculose é fazer com que os pacientes infectados pela bactéria sigam o tratamento até o fim. Isso ocorre porque, em geral, os sintomas mais incômodos da tuberculose (tosse, suores noturnos intensos, emagrecimento e febre) somem após as duas primeiras semanas de tratamento, que precisa de, pelo menos, seis meses para ser concluído com sucesso.

“Esse é um dos maiores desafios para o programa e os sistemas de saúde”, admite o coordenador nacional do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, Dráurio Barreira.

Mais investimento
O esforço das unidades de saúde que tratam pacientes com a doença se concentra em duas frentes. A primeira é explicar clara e incessantemente a importância de iniciar e concluir o tratamento integral. A outra é acompanhar de perto os pacientes, para ter certeza de que eles tomam a medicação como deveriam.

Elza Noronha, diretora de Assistência do Hospital Universitário de Brasília (HUB), conta que as equipes do programa Saúde da Família têm um papel central no combate à doença. Eles precisam identificar e encaminhar os pacientes com sintomas para as unidades de saúde o mais rápido possível. Além disso, é o agente de saúde quem será avisado se um paciente faltar à consulta para controle e é ele quem visita a casa do doente para conferir se a dose diária de medicação foi tomada.

A Estratégia do Tratamento Supervisionado (DOTS), criada oficialmente em 1999 pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose, é uma das prioridades do programa para atingir as metas definidas com a OMS. Dráurio Barreira conta que, nos últimos dez anos, o Brasil conseguiu diminuir o número de novos casos anuais de tuberculose em 27% e em 32% o número de óbitos pela doença. Ainda assim, o país ainda ocupa o 19º lugar entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo.

Até 2013, o Ministério da Saúde espera que o país esteja fora dessa lista. Para isso, tem aumentado o número de recursos disponíveis para as ações de combate à doença. Em 2008, foram destinados US$ 69,1 milhões (inclusive para a compra de remédios) ao programa. Sete vezes mais do que o investido em 2000: US$ 9,3 milhões. “Precisamos de uma estrutura de assistência muito moderna para combater o problema. O sistema de saúde tem de se altamente qualificado e o programa tem investido nisso”, opina a infectologista Elza Noronha.

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